Numa era em que a comunicação é tomada como garantida e onde a instantaneidade substitui a paciência, há quem continue a valorizar a arte da escuta e a resiliência das ondas de rádio. A Associação de Radioamadores da Vila de Moscavide (ARVM) — discreta, mas tenaz — é uma dessas instituições que transcende o tempo e o modismo tecnológico, mantendo viva a chama do radioamadorismo no Concelho de Loures.
A história da ARVM é, antes de mais, uma história de continuidade silenciosa. Em 1988, um pequeno grupo de entusiastas reuniu-se, movido por um fascínio comum: a comunicação através do éter. Nessa época, o rádio ainda tinha o poder de unir continentes, criar amizades à distância e funcionar como elo de ligação quando tudo o mais falhava. O que começou como uma paixão informal, ganhou corpo e estrutura em 2000, com a fundação oficial da associação e o estabelecimento da sua primeira sede no centro da Vila de Moscavide.
Mas a ARVM nunca se contentou com o passado. Em 2017, o grupo instalou a sua primeira estação de rádio completa, um passo técnico essencial que lhes permitiu operar em várias bandas e ampliar o alcance das suas transmissões. A infraestrutura foi acompanhada de formação, partilha de experiências e, não menos importante, uma crescente consciência do papel dos radioamadores em contextos de utilidade pública.
No ano seguinte, em 2018, a associação deu mais um passo ao organizar o seu primeiro encontro regional de radioamadores — um momento de celebração e também de afirmação regional. A presença crescente da ARVM no panorama nacional do radioamadorismo não se deve apenas ao seu equipamento, mas ao seu compromisso inabalável com o espírito da comunicação aberta, voluntária e solidária.
Em 2025, ao completar 37 anos desde os seus primórdios, a ARVM marca este marco com uma atualização integral da sua estação e a instalação de novas antenas — reforçando a cobertura e abrindo caminho para novas gerações de operadores. Num concelho em constante crescimento, onde o ruído digital se torna cada vez mais ensurdecedor, a ARVM oferece uma alternativa silenciosa e eficaz: escutar, responder, estar presente.
A história da ARVM é, acima de tudo, uma lição de persistência e de reinvenção. Num mundo onde a comunicação é volátil e efémera, estas vozes que viajam pelo ar lembram-nos que há outros modos de estar — mais calmos, mais atentos e, por vezes, mais duradouros.
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